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O convênio da UFPR com a Universidade de Saint-Esprit de Kaslik e a dinâmica subjetiva de um de seus colaboradores

Convidado a dar uma palestra na Universidade Saint-Esprit de Kaslik em Beirute, na inauguração do convênio que a Universidade Federal do Paraná assinou com esta universidade, optei por falar sobre a emigração e o sofrimento psíquico que estes deslocamentos provocam. Para terminar, analisei um caso ilustrativo e que pôde mostrar os fatores que marcam a capacidade de assimilação cultural do imigrante libanês. O tema foi propício e a ocasião marcou o êxito de um projeto particular de estabelecer laços concretos com o país de minhas origens, além da finalização das discussões de anos anteriores de um esboço de fundação de um centro de estudos da cultura da América Latina em Beirute (que se concretizou na fundação do Cecal, na universidade de Kaslik).

Abriu-se então, um corredor de trocas acadêmicas que futuramente irão propiciar a aproximação de realidades tão distantes. O ato teve a aura de um sentimento de união e para nós, descendentes de libaneses, de um retorno simbólico às próprias raízes. Como pesquisador este gesto selou um percurso pessoal e uma proposta de futuras pesquisas conjuntas, num caminho metódico da descoberta mútua: do latino, do árabe e de sua miscigenação. Além disso, foi um marco na finalização de um trajeto pessoal e de um enriquecimento interior.

Falar sobre os processos identificatórios no momento da assinatura de um convênio, cuja articulação contou com minha participação, teve repercussões subjetivas sobre minha pessoa. Estes momentos fundadores provocaram a vinda, em minha consciência, de todo o itinerário que me unia ao Líbano e que encontrava ali o seu desfecho. Os comentários que teci na minha exposição sobre o processo da travessia cultural e o que ela pode trazer de traumático, aconteceu em menor medida, mas não menos angustiante comigo mesmo, quando realizei o caminho inverso no resgate da memória de minha família no Líbano de pós-guerra. E é sobre esse tema que eu gostaria de discorrer nesta oportunidade.

A emigração é desterramento, a mais contundente metáfora deste fato. Um termo forte: tirar a terra debaixo dos pés de um sujeito. É desenraizamento para plantá-lo em outro lugar. Tal movimento sempre traumático, irá deixar impresso no ator marcas profundas, que trarão embutidas toda a sua história familiar e o que ela comportou de projetos e de utopia. Elas irão se transmitir como marcas de coragem, de desejos ou de traumas nas suas gerações subsequentes.

O abalo psíquico desta ruptura real e simbólica encontra seu momento mais agudo, justo na travessia, quando o indivíduo perde seus marcos de orientação neste terreno incerto que se configura como “um entre dois”. É o espaço pleno de paradoxos, de impasses, e de desorganização interna que deve ser vencido para se atravessar a ponte a outra cultura. É o elo decisivo e, desde aí, realizar uma recomposição interna para dar o início à interação com o diferente e quem sabe a miscigenação, quando os dois corpos deste contato fundem-se para criar um terceiro.

Toda essa dinâmica eu pretendi falar aos representantes de pesquisa e alunos dos cursos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Humanas de nossos anfitriões. Minha exposição versou sobre um evento ocorrido em Curitiba, em 1959 [1], e que ficou conhecido como a “Guerra do Pente”. Foram distúrbios urbanos que tiveram marcado teor xenófobo contra a comunidade árabe, nomeados sírios pelos jornais da época. Os acontecimentos tiveram início na loja de um imigrante libanês e resultou em perdas financeiras e ferimentos morais ao seu proprietário. De uma discussão sobre a nota fiscal da compra de um pente, a altercação se transformou em luta corporal, que se finalizou na completa destruição de sua loja por um grupo que assistia aos acontecimentos. A violência se generalizou durante dois dias, em quebra-quebras por todo o centro da cidade, com tiros, feridos e prisões. As depredações e os confrontos entre desordeiros e a polícia só findaram com a intervenção do exército.

As lições psico-sociais que se pode tirar destes acontecimentos foram destacadas à plateia e provocou um vivo debate nos ouvintes. O primeiro ponto remarcado foi a evocação do período conturbado que atravessava o Brasil no governo de Juscelino Kubitschek e seu projeto de construir Brasília. Foi apontada a correlação das insatisfações populares, pela alta dos preços e o atraso nos salários, com o estouro das massas curitibanas que acompanhavam a série de manifestações que ocorriam em todo o território nacional. Tais inquietudes acabaram encontrando nos representantes do comércio, tidos como os responsáveis pela carestia da época, um bode expiatório para a catarse coletiva.

O sofrimento real e simbólico pelo perigo atravessado, as perdas financeiras e o sentimento de vergonha causado ao imigrante, serviram de partida para a análise do itinerário desse forasteiro libanês que trazia já em si uma falta. A perda das referências da sua aldeia onde foi constituído, que se juntava e potencializava o sentimento de desproteção ao ver sua loja destruída. A resposta pragmática de retomar dias depois, junto com sua família, a reorganização de seu comércio e “tocar a vida” e, mais tarde, com o passar do tempo, a interação sem rancor com a sociedade local veio a firmar seus laços com o novo mundo. O projeto vai se consolidar finalmente na integração cultural, quando dois de seus filhos se casam com “brasileiras”. A sua atitude de enfrentamento e de superação desta situação crítica e a decisão de se reconstruir vieram a pavimentar o caminho do transplante cultural. As renúncias de satisfações pessoais neste percurso foram as chaves da integração. O abandono de um almejado retorno ao Líbano e de um sucesso financeiro faz nosso imigrante conformar-se às limitações de seu destino e a fincar raízes definitivamente. Ele passa então a investir no conforto de seus filhos. O compromisso vai proporcionar um novo centramento de referenciais para um “vir a ser” renovado, dirigindo investimentos que concorrem para o fortalecimento de seu eu. Também e em parte, vai compensar a sua divisão interna, soldando os sentimentos e emoções com o novo caminho. Realocando a recordação no passado, o emigrante estabiliza-se e obtém um controle razoável de um projeto futuro, e que vai se encarnar no investimento do progresso de sua prole, que nessas alturas principiavam a adolescência e obtinham sucesso social na escola.

A análise deste caso possibilitou a ilustração do funcionamento do caráter libanês na diáspora, e do papel da família como ancoragem de sustentação afetiva e de efetiva mão-de-obra na manutenção do empreendimento familiar. Os filhos ao iniciarem a alfabetização, saem para o espaço público e partem para a interação com a variada composição de descendentes de outras origens que eram os colegas do colégio. Eles trazem amigos para seu foro íntimo e são acolhidos carinhosamente pelos pais. Recebidos com hospitalidade, um traço bem árabe, nossos libaneses progridem na direção das interações sociais e de um positivo interesse de con-viver com os representantes do país que os recebe.

Na finalização da exposição falamos dessas inúmeras configurações identitárias que se produzem nestes milhares de emigrantes que se espalharam pelo mundo. Sempre motorizados pelo seu espírito empreendedor e pragmático, acabam, em todos os cantos onde chegam, miscigenando-se com a cultura que os hospeda. E com essa plasticidade, contribuem com a utopia universalista, de um mundo sem fronteiras.

Mas junto com este pragmatismo, precisamos ressaltar outras características da identidade libanesa, que proporciona seu otimismo e esta tendência peculiar que vimos expondo. Em seu propósito ele valoriza o novo país, pois é ali que ele constrói o caminho (e é ai que funciona seu pragmatismo) para a realização do insidioso desejo de realização pessoal, plataforma almejada para alcançar um status de reconhecimento, de distinção e da posse da fartura. Este atávico desejo de segurança e de conforto que nasceu, quem sabe, nas agruras de um deserto desolado que enfrentavam seus ascendentes.

Ele é orgulhoso de sua linhagem, abnegado pela sua independência pessoal e na preservação da honra e do nome da família. É afável, amoroso, gentil, sanguíneo, individualista, arrebatado na expressão dos afetos e na alocução da palavra. É um fatalista e um temente aos traçados que lhe aguarda o destino. E em seu íntimo esconde um segredo: ver ainda o esplendor Omíada ressurgir no século XXI, e assim poder eliminar uma dor dissimulada, provocada pela tristeza e a indignação de ver os descaminhos que pegaram as suas lideranças políticas e os desastres que se abatem em seu mundo árabe.

As impressões subjetivas

Chegar e se apresentar como brasili-lubnane sempre desperta a curiosidade e a simpatia quando se é recebido por nossos anfitriões. É sempre agradável falar e escutar algo da região onde se encontra nossa família, suas tradições e os notáveis do local. Você começa a prestar atenção nos gestos, na forma de se exprimir, na maneira de uma família receber e você logo encontra um canal de identificação, resgatando algo de si neste outro que o acolhe.

Na medida em que ocorriam esses encontros na Universidade Saint-Esprit de Kaslik, comecei a perceber que esta experiência promovia um contentamento inexplicável. Talvez por ter sido recebido de maneira mais cerimoniosa e atenciosa? Sim, isso teve o seu peso, mas era muito mais. Involuntariamente vinham-me lembranças de quando cheguei pela primeira vez ao Líbano. E eram tão contrastantes que tomei consciência, nos dias subsequentes, de todo o desenvolvimento de um processo que teve seu começo bem antes. Quando ouvia na infância as histórias de meu pai sobre nossa família no Líbano (e na Síria), incitando no guri a construção de um imaginário pitoresco e leituras posteriores que só aumentaram no fio dos anos, um desejo infindável de conhecer as terras de minha origem.

E, enfim, já como pesquisador universitário, fui recebido pelos druzos nas montanhas do Chouf, quando decidi encetar pesquisas étno-psicológicas mais aprofundadas sobre a composição identitária libanesa, e os dilemas sócio-históricos que enfrentam seus cidadãos na contemporaneidade. Foram quatro anos de intensa e cotidiana aventura afetiva-intelectual e que veio a produzir marcas simbólicas que se engancharam nas cadeias de meu processo identificatório.

E naqueles momentos de conforto na recepção em Kaslik, vinham-me as sensações desta primeira vez quando cheguei ao Líbano, em 1995. Foram experiências transbordantes de alegria ao ser acolhido, de ver e de escutar as histórias dos parentes de Dohour al Chueiri. Também de sentir os diversos odores da montanha e observar sua flora e sua fauna. O reconhecimento também continuava à noite, contemplando o céu estrelado tão comentado, e a lua cheia extasiante no vale do Bekaa. Tudo me interessava, inclusive o modo do preparo da terra para as plantações e os tipos de legumes que ali se colhiam.

Mas passado este interlúdio veranil, logo outro sentimento começou a nascer. Experiências de desgosto e frustrações vieram a fazer um contraponto no entusiasmo das descobertas iniciais. O desencanto começou quando comecei a conviver na rua e a estudar o cidadão libanês nas suas relações sócio-comunitárias. Foi traumático quando deixei os primos e me vi só como pesquisador em um campo que comecei a entrever por entre os seus escombros. O cansaço da gente miúda, a irritação nas relações urbanas, o desgosto e o rancor mal dissimulado nas recordações da guerra se misturavam ao riso, à atividade ensurdecedora da reconstrução da cidade e no trabalho obstinado dos cidadãos que batalhavam por sua sobrevivência. Uma das qualidades do povo libanês, a alegria de viver, tinha se transformado em uma agitação tumultuosa.

Como dar conta daquela complexidade sem o suporte de uma universidade e mais, sem falar o árabe? E continuei a perambular pelas cidades a procura de guarida para minha pesquisa. Ainda haviam carcaças de veículos destruídos nas rotas da montanha, e o medo do fracasso aumentava minha desorganização interna ao ver a extensão da destruição causado pela guerra e o afã acirrado de todos na reconstrução de suas vidas. Ter que se deslocar em um trânsito ensandecido, brigando pelo espaço dos pedestres. A algaravia em meio aos engarrafamentos, o grito de chamadas para o taxi coletivo, andar espremido em transportes junto a tanta diversidade cultural que as vestimentas indicavam; atravessar barreiras por entre tanques de guerra, esperar passar os deslocamentos de soldados e ouvir os estampidos no céu, quando os aviões israelenses quebravam a barreira do som voando sem cerimônia por cima de nós… Tudo isso me deixava atônito, olhando a sociedade como um etnólogo observa receoso uma aldeia exótica. A emoção do encontro com o inesperado e a hesitação nos primeiros contatos eram calibradam nos passos medidos, cuidadosos, na procura de minhas fontes de informações. Muitos dados eram proibidos de serem fornecidos pelos órgãos estatais e, com os misteriosos druzos, esperava ainda o acordo para que seus combatentes pudessem ser entrevistados. E depois de tanto me falarem do seu enclausuramento comunitário, o que eu poderia abordar nestas conversas?

Outras observações me deixavam perplexo, como a enorme diferença entre um bairro ocidentalizado como Junie e, de outro lado da cidade, Rauchi com seus cafés tipicamente orientais e suas mulheres banhando-se na praia inteiramente vestidas. Visitando o Iate Club de Junie, me deparei concretamente pela primeira vez, com as fraturas do país. Ali só se falava o francês e para o espanto do arabista principiante, os costumes ocidentalizados a la française, permitiam até entrever o interior dos vestiários da piscina, que não guardavam tanto a privacidade de seus ambientes. Encontrar isso no Oriente Médio? Os contrastes eram enormes com outras comunidades, a exemplo dos disciplinados e cuidadosos druzos, que me recebiam em suas casas. Se estas observações instigavam o pesquisador, por outro lado feriam as fantasias idealizadas de um Líbano de minha juventude. E veio em cena então imagens queridas de um Brasil alegre, unido nos laços da solidariedade e da esperança, e que encontrava ali retalhados em cantões, fatiando aquelas terras que ouvia dizer terem sido a própria imagem do paraíso bíblico. E um sentimento de brasilidade, que não tinha sentido ainda, veio a provocar uma divisão interna entre um pé que me chamava aos Campos Gerais do Paraná e o outro atrás do simulacro de um turbante que eu queria vestir. Esta divisão subjetiva e a tensão da pesquisa ainda titubeante faziam-me claudicar nas reflexões a que me vi submergido. A perda interna de algo imaginado e que desmoronava nos passos que dava por entre uma realidade inóspita e violenta veio a provocar felizmente a turbulência salvadora.

As pinceladas caprichosas de uma imagem construída no embalo de um desejo de perfeição, onde eu pudesse me refletir, liquefaziam-se nas ruas de Beirute. Via nas fachadas das casas bombardeadas, os resultados de uma história traçada em sua cultura da discórdia (J. Corn). Eu os culpava por isso e isto me deprimia. O mito de uma Beirute decantada pelos poetas e viajantes esfacelava-se em minha frente, triste, alquebrada e arfante. O sentimento de desproteção era duplo: o conflito interior entre o pinheiro e o cedro que engendrava rearranjos em minhas identificações conectava-se com a incerteza das jornadas do trabalho cotidiano.

E me dei conta de que minha identidade fincada nas terras de Pindorama procurava um engate fantasioso nas pegadas do magnânimo Saladino e nos exemplos de Al Mamoun. E a aura destes ícones de um esplendor há muito tempo apagado embaçavam a realidade que eu via na minha frente, impedindo a compreensão do homem libanês contemporâneo. O corte e a separação entre o núcleo de minha identidade mais íntima e o que eu projetava idealizadamente possibilitou um centramento subjetivo novo. Desmelar meu eu de uma representação que eu queria deste outro, salientou outros traços de minhas raízes que ainda não tinham entrado em cena. E a percepção desta diferença ofereceu-me um distanciamento vivificador.

Noto agora enquanto escrevo, que estes redimensionamentos interiores caracterizam o próprio processo de hibridismo das construções identitárias. A arabidade que eu queria ver em mim e no libanês que eu perscrutava renovou-se, e uma escuta mais límpida apareceu. Nesse período, comecei a ouvir dezenas de histórias de vida de gente que atravessou muitas guerras, e essas entrevistas possibilitaram, como num romance, a abertura e o aprofundamento no conhecimento desses indivíduos. Mais solidário com suas novelas particulares, pude tecer um quadro onde todos se debatiam, outros se perdiam no emaranhado da diversidade de propostas culturais, do confronto de ideologias, da devoção religiosa e de propostas políticas antagônicas. Todos com suas verdades na procura de construir um Líbano, segundo suas crenças de pureza e de justiça social. A partir deste insight renovador, foram apaziguando-se minhas aflições e na medida em que os fantasmas caíam, um pesquisador mais sóbrio surgia. E também mais folgado em minha heterogeneidade para sentir as emoções que continuavam a acontecer na escuta daquelas multifacetadas narrativas, naquele formigueiro, no jogo de xadrez daquele pequeno país.

A falta de um pesquisador nativo para debater as questões levantadas, era compensada pelo apoio e a hospitalidade dos druzos na biblioteca de Baaklin, que me ofereciam o conhecimento de suas tradições e que eu recebia com respeito sem querer me imiscuir nos segredos de sua confissão. Ao ouvir os depoimentos de seus combatentes durante a guerra, comecei a me introduzir nesse “mal-estar civilizacional árabe” que reúne cansaço, rancor, amargura, angústia e um desejo profundo de vislumbrar um horizonte mais promissor nessas crises que se repetem. A nostalgia pelos laços sociais inter-confessionais anteriores à guerra acompanhava o luto pelas perdas sofridas nos conflitos, mas não esmorecia o resgate das energias necessárias para a elaboração de suas novas estratégias de vida.

Essas compreensões se prosseguiram em outras etapas de investigações, quando percorri a região sul ouvindo outras histórias, conhecendo a comunidade xiita nas fronteiras com Israel, depois dos bombardeios de 2006, e os comparando com os druzos de Hasbaya e Rachaya. Mas enfim, essas incursões chegaram a termo e veio uma terceira etapa dessa minha própria travessia.

Foi nesse retorno acolhedor em Kaslik que percebi o término de um processo. Ter participado na iniciativa de se firmar um convênio com uma universidade, produziu a satisfação primeira de estabelecer um vínculo com professores libaneses, criando um corredor de trocas de conhecimento entre nós. Este significante soava durante nossas primeiras conversas como a realização de um desejo que unia a infância, a aventura e uma nova qualidade de pertencimento ao Líbano. Agora era possível entreabrir uma porta nova e sólida para futuras pesquisas e através da qual os professores de minha universidade poderão transpor, caso desejarem iniciar suas próprias aventuras nas terras do Levante.

No itinerário de minhas investigações, a oportunidade de conhecer a comunidade maronita diretamente tem um significado especial. Depois de inteirar-me das representações comunitárias do pensamento muçulmano, será o momento de conhecer o outro lado da questão libanesa. Conhecer sem intermediários e pré-julgamentos a face ocidentalizada formadora do núcleo da identidade nacional. Será a oportunidade de escutar a sua voz e sua história, que na coexistência com os druzos, agenciaram a partir de suas montanhas o Líbano independente. Será entrar no outro campo de uma história conflitada e similar, pontuada de dramas e de traumatismos e que representa a própria busca da unidade nacional jamais atingida. Se na guerra civil iniciada em 1975 cada um deles liderou um dos pólos da encarniçada mortandade que ensanguentou o país durante 16 anos, hoje novamente eles se reconciliam diante das incertezas que novamente enfrenta o país na procura pragmática de um denominador comum de convivência nacional entre todas as confissões.

[1]
Tiraz, Revista de Estudos Árabes e das Culturas do Oriente Médio, nº6, São Paulo: FFLCH/USP, 2009. O leitor interessado pelo caso, poderá acessá-lo no site do Icarabe.

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Jamil Zugueib Neto
Jamil Zugueib Neto
Jamil Zugueib Neto é professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, doutor em Psicologia Social pela Universidade de Toulouse Le Mirail, França, Coordenador do Núcleo de Estudos dos Processos Identitários, das Etnias, das Crises e da Cultura Árabe. E-mail: jzugueib@ufpr.br

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