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O papel da União Européia na solução do conflito na Palestina

Não há como negar que a ocupação israelense é apoiada pela comunidade internacional, os Estados Unidos e a União Européia (UE), através de sua decisão de manter uma posição passiva diante da violação dos direitos palestinos nos territórios ocupados. A decisão dos ministros do exterior da UE de não tornar público e não discutir o recente relatório sobre as condições nos territórios ocupados confirma isso. O relatório foi preparado pelos cônsules dos Estados-membros europeus instalados em Jerusalém. Ele detalha as violações de Israel, entre outras a anexação de terras palestinas, e seus graves efeitos nos residentes de Jerusalém Oriental.
Ao não se dissociarem das medidas israelenses violentas e ilegais descritas no relatório, os ministros do exterior da UE dão a Israel completa legitimidade para continuar sua conduta e implementar outras medidas ilegais.

Alguém pode se perguntar como isso afeta a credibilidade da UE e a sua professada política de encorajar o respeito à lei e à justiça. Alguém pode se perguntar também como a UE pode alegar que quer fazer avançar a paz na Palestina enquanto, ao mesmo tempo, escolhe ignorar o perigo que a política de Israel em Jerusalém Oriental, como documentado no relatório, coloca para as perspectivas de paz.

O relatório foi obtido pelo “ The New York Times ”. Ele conclui que a política de Israel de espoliação dos palestinos em Jerusalém Oriental e a anexação de terras palestinas reduz as perspectivas de um acordo de paz. Ele mostra que o objetivo das autoridades israelenses é manter as partes Leste e Oeste de Jerusalém unidas com uma maioria judaica, sob governo de Israel. Além disso, as medidas têm como objetivo fragmentar a Cisjordânia em duas partes, a norte e a sul. Essa é uma tentativa deliberada de fazer impossível um acordo de paz, pois qualquer acordo terá que incluir o direito palestino de estabelecer uma capital na parte leste de Jerusalém e de assegurar uma ininterrupta continuidade na Cisjordânia. O relatório torna claro que, ao contrário das declarações recorrentes de Israel sobre voltar às negociações, suas ações refutam isso.

O que impediu a UE de tornar o relatório de conhecimento público? Acredito que seja a contradição entre o quadro da ocupação propagado por Israel e os Estados Unidos e a situação descrita pelo relatório. Eles propagam um quadro em que os palestinos não querem paz e não desejam tomar medidas apropriadas enquanto o lado israelense quer paz e age apenas para se defender do terror palestino. O relatório mostra claramente que esse quadro é falso. Ao ocultar o relatório, os ministros de exterior da UE se tornam cúmplices da propagação do quadro distorcido da situação nos territórios ocupados e, desta forma, apóiam a continuação da ocupação, mantendo-a livre de críticas.

É crucial entender que não importa se é a esquerda ou a direita de Israel que está no poder (na verdade, eles são frequentemente difíceis de diferenciar). De todo modo, é altamente improvável que qualquer liderança israelense se engaje em conversações de paz sérias e que esteja disposta a fazer os compromissos necessários, como concordar em dividir Jerusalém, desde que os Estados Unidos e a UE continuem a servir de apoio às políticas ilegais de Israel e às ações na Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Israel não desistiria voluntariamente das vantagens da ocupação a não ser que fosse pressionado ou tentado com algum ganho político. Assim, não acredito que se possa colocar muitas esperanças nas recentes mudanças no mapa político de Israel – a eleição de um novo líder do Partido Trabalhista, que alega estar começando uma nova era para a esquerda israelense -, ou o racha no partido de direita Likud e o estabelecimento do novo partido de “centro” de Ariel Sharon, o Kadima.

O problema é que nenhum governo israelense concordará em se comprometer o suficiente para alcançar o mínimo das condições palestinas para a paz, a não ser que seja pressionado de fora. Sem que a UE e os Estados Unidos declarem a ocupação ilegal, não haverá fim para ela. A imposição unilateral do fim do conflito por Israel, em condições israelenses, não acabará com a luta dos palestinos pela independência, e só criaria uma estagnação momentânea em uma situação que está longe de ser resolvida.

A ocupação de Israel é possível, em parte, pelo vasto sistema de sustentação composto pela apatia internacional, indiferença, oportunismo político e econômico e interesse próprio nacional. O sustento militar, financeiro e político dos norte-americanos é uma parte da estrutura. A recusa de países islâmicos em apoiar o processo de paz e o apoio que alguns deles dão a grupos militantes palestinos é outro. Esses grupos perpetuam a ocupação fornecendo um álibi para Israel prolongar a ocupação por “razões de segurança” e usar a ocupação para ganhar mais poder em sua sociedade. O apoio de grupos judaicos no exterior é também parte da rede de sustento da ocupação. É minha crença que a pressão deve ser aplicada nessa rede de suporte.

Muitos grupos, no Oriente Médio e no exterior, se concentram em criticar a política de ocupação do governo de Israel enquanto falham em ver a rede internacional que ajuda a torná-la possível. Acredito que isso está provado ser a maior fraqueza na luta contra a ocupação. Paralela à pressão sobre o governo de Israel, pressão deve também ser exercida na UE e em seus Estados-membros, exigindo uma política ativa de seus líderes políticos. Porque, aceitando o quadro falso da ocupação como propagado por Israel e pelos Estados Unidos e receosos do confronto com Israel, eles diretamente sustentam a continuidade da ocupação dos territórios palestinos e Jerusalém Oriental. A UE é a maior parceira comercial de Israel. Comércio significa influência, a qual ela, até o momento, se provou tímida para exercer sobre Israel para ajudar a terminar a ocupação. Criar pressão na UE e em seus Estados-membros organizando protestos contra sua incapacidade de agir independentemente dos Estados Unidos seria uma maneira importante e crucial de apoiar os grupos de paz em Israel e na Palestina.

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Eyal Pundak Sagieisraelense e estudante de Literatura na Universidade de Tel Aviv, se recusou a servir no exército de Israel. Ele é membro do “The Active Students Forum”. No mês de outubro, em uma parceria entre o ICArabe e a “Faculty for Israeli-Palestinian Peace”, Ey

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