Antipatriota quem, cara-pálida?
O artista plástico israelense, que mora no Brasil, Gershon Knispel citou as dificuldades que um livro como “Refuseniks” tem para ganhar divulgação dentro de Israel. Inclusive, denunciou o ostracismo a que intelectuais críticos à política do stablishment governamental israelense são jogados. “Escritores e intelectuais israelenses fizeram um abaixo-assinado exigindo que o governo de Israel começasse negociações com o Hamas, uma coisa muito corajosa”. Foram ignorados.
Hoje, em Israel, o maestro Daniel Barenboim sofre da perseguição ideológica do governo de Israel e é pintado como um antipatriota. “Hoje, você não pode falar do Daniel Barenboim. De um momento para outro, ele virou em Israel uma persona non grata. Um dos melhores músicos do mundo, que criou uma orquestra com jovens palestinos e israelenses. Fizeram eventos em Berlim, em São Paulo, mas em Israel é proibido”.
O “refusenik” Peretz Kidron também é tachado de antipatriota. Mas acredita que são outros os que fazem dano ao país. “São os que levam Israel a guerras e à ocupação. Eles colocaram 1 milhão e meio de pessoas abaixo da linha de pobreza. Uma a cada três crianças em Israel cresce na pobreza. Há 250 mil sobreviventes do holocausto em Israel. Desses, 80 mil vivem na pobreza e não têm dinheiro suficiente para comida e remédios. Acho que as pessoas que levaram Israel a essa situação é que são anti-patriotas”.
Último dado de Kidron. Todos os anos 400 israelenses morrem em acidentes de estrada. “Um dos motivos é que não há dinheiro suficiente para alargá-las e deixá-las mais modernas. E a razão disso é que todo o dinheiro para as estradas vai para os territórios ocupados. Todo assentamento na Cisjordânia com 20 ou 30 famílias têm lindas estradas, mas não sobra nada para Israel”. A ocupação prejudica, também, os israelenses.



