Cátedra Edward Saïd realiza em São Paulo seminário sobre o Líbano

qua, 16/05/2018 - 00:50


A Cátedra Edward Saïd de Estudos da Contemporaneidade, uma parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto da Cultura Árabe, promoveu, nesta terça-feira, 15 de maio, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, a terceira edição do evento “O Mediterrâneo entre Oriente e Ocidente: Formação Cultural e História do Mundo”. 

O encontro teve sua primeira edição em 2013, dando origem ao livro “Diálogo das Civilizações: Cultura e Passagens”, lançado pela editora da Unifesp, em 2017. A publicação foi organizada pelos docentes Olgária Matos, Denise Milan e Javier Amadeo, que também organizam os eventos.

O objetivo da iniciativa é apresentar o Líbano como espaço de coexistência e trânsito de culturas e valores. O seminário desta terça-feira contou com a presença de dois convidados especiais: os professores Edward Alam e Youssef Rahme, do Cedars Institute, no Líbano.

Rahme, diretor do Cedars Institute, deu início ao evento com a palestra: "Reflexões sobre a História da História do Mundo: Viagem e História mundial no século XXI. Para o acadêmico, a História não deve ser ensinada somente na sala de aula. “O intercâmbio em artes liberais também deve fazer parte da grade assim como encontros culturais e transcivilizacionais”, pontuou. Cofundador do Cedars, Alam ministrou a palestra "A História do Mundo e a Épica de Gilgamesh".

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Denise Milan, uma das organizadoras do evento, falou sobre a contribuição e a importância do Líbano para a história do mundo: "Nesse momento em que o mundo está tão silenciado por uma série de questões e crises políticas, os descendentes de libaneses devem integrar judeus libaneses, libaneses muçulmanos e libaneses armênios que viveram no Líbano. Estamos falando da força da integração, da coexistência, pois o Líbano é um exemplo disso, tanto na história da cultura quanto nas 16 civilizações que passaram por lá”, frisou. “Queremos levantar a chama dessa possibilidade de vida, da coexistência, da tolerância e trazer inspiração para as relações futuras. Os estudantes precisam conhecer o Cedars Institute Program (parceiro da Unifesp) para verem a história do mundo através do Líbano, pois é uma história viva”, finalizou a acadêmica.

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Sobre o livro “Diálogo das Civilizações: Cultura e Passagens

Especialistas renomados das mais diversas áreas – artes plásticas, filosofia, literatura, direito, diplomacia, entre outras – expõem, de uma perspectiva sólida e bem fundamentada, os caminhos e as razões – que por vezes remetem à origem do planeta e da humanidade, raiz do diálogo primeiro das civilizações – pelos quais acreditam ser possível às nações, às religiões e aos indivíduos superarem suas naturais diferenças para alcançar um diálogo e uma compreensão que lhes permitam a paz e o entendimento. 

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Nesses escritos, em abordagens históricas, filosóficas, teológicas e literárias, que abarcam de questões cosmogônicas ao convívio cultural na época medieval, e sem perder o ponto de vista da contemporaneidade, evidenciam-se os encontros e intercâmbios culturais entre cristianismo, judaísmo e islamismo da Idade Média até a atualidade. Na base dessas reflexões encontra-se a ideia de que, em vez de pensar as diferenças culturais como fonte de conflito, está na cultura a chave para a compreensão dessas diferenças e para a possibilidade de convivência harmoniosa entre elas.