Skip to Content

Zunái – Revista de poesias e debates

Copyright © 2012 Icarabe.org
É possível visualizar todas as faces de um povo expressas em forma de poemas. Versos que revindicam ações em prol dos palestinos.
A revista eletrônica que foi criada no ano de 2003 por Claudio Daniel colhe poemas que retratam diversas visões sobre a Palestina. Todos os textos são desenvolvidos por pessoas que compreendem a injustiça sofrida pelo povo palestino desde sua ocupação, e encontraram na Zunái um meio de comunicação onde podem expor seus ideais, e clamar por mudanças.
Veja alguns poemas encontrados no http://www.revistazunai.com
 
 
SALMO PARA A PALESTINA
Por Marcelo Ariel
Uma rosa de Sal
não afunda;
Ama.
Uma rosa de cristal
não morre:
Brilha.
Uma rosa de luz
não compreende:
Vive.
Você ouvirá
todas as rosas
cantando seu nome
Palestina
No jardim
que antes estava
fechado para ti.
Palestina
A folha secando
na areia
não será mais
a morte,
mas o êxtase
da fusão
com o céu
que tu agora chamas
de chão,
Palestina
Será como um oração
este calor
desenhando um arco
em volta do teu coração
Uma auréola
de alegria e paz
ao redor
de qualquer rosto
Palestina
Amar qualquer rosto
será mais
do que amar uma Nação,
Erramos quando pensamos
Que o amor estava
Ali, o amor é este lugar
É qualquer rosto vivoe está aqui,
Não é o deslocamento do azul do céu,
Palestina
Não é o sangue derramado
não é o dinheiro, esta onda que avança
por dentro do sangue de inúteis desertos
até o fundo do oceano,destino de todo o ouro
e depois sobe.volta
até a absurda praia dos ossos.
Palestina
Eis o triunfo do amor
Secando o mar de sangue .
Teus mortos
Verão o Sol frio como a Lua
Incipit parodia
Do mais real do que o sonho.
Palestina
Cesse de cantar a canção do impossível
para a aragem
do campo das beatitudes,
que se apague
da mente dos poetas
este canto,
onde Querubins sem braço
com a cabeça enfaixada
brincam com Azrael,
O Poeta do povo
dirá
ao pisar no teu Solo:
‘ Sentimos o nascimento
Dos braços,
A queda
Das asas
E a das folhas
Da árvore do bem e do mal,
Agora nos consola
Saber
Que a palavra
Mais sublime
Não ilumina o suficiente,
Que uma língua tocando a outra
Não ilumina o suficiente
Somente o olhar dos animais pacíficos
Pastando nos teus campos
Palestina
Como a morte
E o amor
Iluminam
este silêncio
Dos mortos
Para sempre.
 
 
Marcelo Ariel é poeta. O poema apresentado aqui faz parte do livro Teatrofantasma: poesia e prosa, a sair pela Letra Selvagem Edições.
 
 
 
FAIXA DE GAZA
Por Jonatas Onofre
 
Como pode ser
esta veia sem sutura?
Este campo de destroços
em hemorragia?
A ausência das harpas
ainda verga os galhos
do salgueiro.
Mas o sol, imunda fera,
lambe um ossuário
de crianças no deserto.
 
 
Jonatas Onofre é pernambucano de Paulista, poeta e músico, graduando em Letras na UFPE.
 
Compartilhe e divulgue!
ICArabeInstituto da Cultura árabe (da redação)

Comentários

Comentar