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Você está em:Home»ARTIGOS»JE SUIS Mulheres Muçulmanas
ARTIGOS

JE SUIS Mulheres Muçulmanas

 

Em momento de conflitos, tensões sociais e outros agentes acabam emergindo no cenário público. Com a violência ocasionada em 7 de janeiro em Paris não foi diferente. Não vou aqui me estender para dizer que só compreendo liberdade de imprensa carregada de responsabilidade e direitos que os outros têm de se opor à reprodução caricata de sua imagem, isto Edward Said já escreveu de forma magistral em seu livro “Orientalismo” e o próprio Tariq Ramadan vem rebatendo veemente em suas conferências.

O que talvez tenha nos espantado, pesquisadores de Islam no Brasil, foram os vários casos de agressões à Mesquita, homens e mulheres, após o triste episódio na França. As mulheres foram o alvo mais fácil dos agressores, primeiro, porque o brasileiro, ainda erroneamente, identifica uma mulher de lenço (hijab) como se fosse árabe, então a ofensa cotidiana é: “Volte para o seu país!!!” 

Fica evidenciada uma intolerância com imigrante, seja este árabe, africano etc. Nenhuma mulher – seja ela árabe ou brasileira – que usa hijab deveria ser agredida por estar expressando a sua religiosidade. Esta violência cotidiana – digo violência, porque não se trata apenas de agressões físicas, mas também, psicológicas, verbais, jurídicas, entre outras – ganhou contornos expressivos após o atentado de janeiro. Mulheres muçulmanas no Brasil foram vítimas de pedradas e xingamentos “muçulmana maldita”, cusparada, puxões dos seus lenços, palavrões que ofendiam a sua honra e sua religião, quase vítimas de atropelamento, sem falar daquelas que buscaram emprego neste período e foram desrespeitadas por estarem usando o lenço. Esses casos ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minhas Gerais e Espirito Santo.

A recomendação dos líderes da comunidade muçulmana no Brasil tem sido a realização do Boletim de Ocorrência. Esses casos não podem ficar silenciados, mas o registro na polícia é a primeira porta de “defesa” do direito de ser diferente. No entanto, muitas das meninas que sofreram agressões não querem falar do assunto e evitam sair de casa desacompanhadas. Os casos que venho acompanhando são todos de mulheres convertidas ao Islam e que professam a religião há muito tempo. 

Talvez o brasileiro ainda não saiba, a maioria que anda de ônibus, metrô e trem em São Paulo e outros estados que usam hijab são brasileiras convertidas.

O uso do véu é uma obrigação religiosa de submissão à vontade de Deus, é uma orientação prescrita às mulheres. Mulheres muçulmanas se sentem empoderadas quando fazem uso do lenço. “Eu não me sinto oprimida pelo uso do meu véu” me disse Nadia Hussein na entrevista para o documentário “Vozes do Islã”.

Acompanhei um caso de Ribeirão Preto, no qual a muçulmana se viu “obrigada” a retirar o seu lenço, porque se sentia perseguida, ou tinha medo de não conseguir uma promoção no emprego público. Na verdade, isto tudo revela que a nossa sociedade brasileira, embora plural, miscigenada, ainda precisa avançar muito quando se trata da religião do outro. Fiquei surpresa ao ler que uma intelectual brasileira se referia aos muçulmanos como esses estivessem vivendo na Idade Média. Fala-se de Islam sem conhecer o Islam e, pior ainda, sem conhecer os muçulmanos, ou nem sequer ter pisado em uma comunidade muçulmana. Deve-se aproveitar a indignação com a violência, que todos nós temos, sendo muçulmanos ou não, e aproveitar para nos aproximar de outros grupos a fim de que possamos conhecê-los verdadeiramente e não reproduzir os estereótipos midiáticos e de programas que apenas deseducam e deturpam a nossa realidade.

Há sem dúvida uma questão de fundo a ser observada: por que o ataque às mulheres? Por que as mulheres são os alvos mais fáceis? Não é preciso de expertise em gênero para saber que a violência contra a mulher é histórica e situada, isto independe de religião, classe social, etc. É o que vemos cotidianamente. Mas precisamos sair do lugar de vítimas (e aqui me refiro às mulheres da comunidade muçulmana) e fazer aquilo que está no plano do discurso: o empoderamento por meio do uso do véu. Se você acredita que o melhor é usar o hijab, use-o, porque temos que fazer com que as pessoas compreendam que o lenço não cobre pensamento e sim enobrece a sua fé e a sua constituição de sujeito. Não tenha medo! Cabe à sociedade, a todos nós, o respeito ao diferente, às diferenças…

 

* Artigos assinados são responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, a opinião do ICArabe. 

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural. Visa a integrar, estudar e promover as várias formas de expressão da cultura árabe, antigas e contemporâneas, e encorajar o reconhecimento de sua presença na sociedade brasileira. Está aberto à participação de todos os que acreditam ser premente assegurar o respeito às diferenças.

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural.

🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em 🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em setembro iniciativas para comemorar os 150 anos da viagem do imperador Dom Pedro II ao Líbano, entre elas, a exposição itinerante, que contará com a apresentação da bandeira e espada de D. Pedro II, cedidas pela Casa Imperial do Brasil, além da Rota da Viagem do Imperador ao Líbano, imagens do seu diário, depoimento sobre as cidades visitadas, além de outras imagens.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.
🎭 Salamaleque em cartaz! Neste sábado, 22 de agos 🎭 Salamaleque em cartaz!

Neste sábado, 22 de agosto, às 16h, o Complexo Cultural Oswald de Andrade recebe o espetáculo “Salamaleque”, da Cia Teatral Damasco.

Fruto de cinco anos de pesquisa sobre a cultura árabe, a peça parte das cartas de amor trocadas pelos avós da atriz Valéria Arbex na década de 1930. Entre memórias, histórias de família e sabores, “Salamaleque” proporciona uma experiência teatral sensorial e intimista.

📅 22 de agosto, às 16h
📍 Complexo Cultural Oswald de Andrade
🎟️ Ingressos distribuídos 1h antes, no local (máx. 2 por pessoa).
🔞 Classificação: 14 anos
📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pel 📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) e pelo Sesc – Serviço Social do Comércio, será realizada de 2 a 8 de setembro, no CineSesc (Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo). A programação apresenta 9 filmes, todos inéditos. A abertura será no dia 2, com o filme “Calle Málaga, de Maryam Touzani.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@mostramundoarabedecinema 
@cinesescsp
📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital 📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital para editoras estrangeiras interessadas em publicar no exterior obras de autores brasileiros. 

🔗 Saiba mais em nosso site. Acesse o link disponível nos stories.

@anbanewsagency
✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçal ✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçalves e a escritora Maria Fernanda Maglio, com mediação de Yasmin Faria, no dia 20 de agosto, às 19h30.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@editoratabla
❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israe ❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israelense”, muito usada pela imprensa ocidental, não reflete a realidade da luta palestina? O que se retrata como um conflito entre os dois lados, na verdade pode ser descrito por diversas expressões:

🇵🇸 Ocupação colonial sionista
Ocupação militar israelense
Apartheid israelense
A luta palestina
A questão palestina
A colonização da Palestina

Esses e outros termos estão na plataforma “Comunicando a Palestina”, um guia gratuito para uma comunicação mais ética e responsável sobre a Palestina.

Saiba mais em nosso site: https://icarabe.org/cultura-arabe/derrubando-estereotipos-conheca-a-plataforma-comunicando-a-palestina/
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