É difícil controlar um movimento”, diz Nur Masalha sobre a Palestina

qua, 14/12/2016 - 18:55

A declaração foi dada durante o seminário "Perspectivas sobre a Palestina em um Oriente Médio em Transformação", realizado na USP, no dia 6 de dezembro.

“Os sionistas tentam controlar os palestinos, mas é difícil controlar o movimento de solidariedade. É difícil controlar um movimento que vem de baixo.” É desse modo que o historiador palestino e editor do jornal “Terra santa e estudos palestinos” (Universidade Soas, Londres), Nur Masalha, enxerga a atual conjuntura da resistência dos palestinos frente a Israel e o apoio que ela recebe pelo mundo. A declaração foi dada no dia 6 de dezembro, durante o seminário "Perspectivas sobre a Palestina em um Oriente Médio em Transformação", realizado na USP (Universidade de São Paulo).

A atividade foi promovida pelo Middle East Monitor e Common Action Forum, em parceria com o Centro de Estudos Árabes, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e o Instituto de Relações Internacionais dessa instituição.
 
Masalha compôs a mesa "Uma descolonização incompleta: reinstaurando a Palestina na agenda mundial", ao lado da professora-doutora em História Arabe da USP, Arlene Clemesha, do jornalista Ben White e de Daud Abdullah, representante do observatório internacional Middle East Monitor, mediador da discussão.
 
“A estratégia israelense é maximizar o território e diminuir a ocupação. Muitas pessoas querem soluções rápidas para o conflito, mas não há uma solução mágica. Temos que conversar com essas pessoas e juntar esse povo fragmentado”, afirmou. “Temos de pensar em estratégias multilaterais. Nossa força vem do movimento (de solidariedade internacional). Temos de lhes dar noites mal dormidas (a Israel)”, declarou.
 
O tema da solidariedade foi tratado por toda a mesa, como observado pelo mediador Daud Abdullah. “Quando o apartheid na África do Sul se tornou inaceitável junto à opinião pública, ele se desmantelou e veio a solidariedade. Israel quer manter esse tema longe”, afirmou.
 
Racismo e colonialismo
 
“O que aconteceu nos últimos 50 anos foi que Israel criou um estado em que as pessoas são discriminadas pela raça. Dos cidadãos israelenses, 20% são palestinos. Os cidadãos não judeus não têm direitos iguais perante a lei”, criticou Ben White.

O especialista também falou sobre o controle exercido no território palestino por parte de Israel, como a proibição de venda de móveis feitos em Gaza para a Cisjordânia. “Isso tudo nós sabemos que é por conta da segurança, porque cadeiras são muito perigosas”, ironizou acerca do bloqueio econômico vivido pela população palestina na estreita faixa. “Israel diz que não há contradição na sua identidade democrática, mas isso é colonialismo”, afirmou.

Para Arlene Clemesha, há uma tentativa de negar a existência dos palestinos. “Essa é a história do colonialismo. No século XXI, é difícil você dizer que o palestino não existe, mas a sua voz é tolhida”, declarou. A historiadora comemorou o maior número de estudos na universidade sobre o mundo árabe, como o trabalho acerca da aldeia de Qaqun, destruída em 1948 com a criação do Estado de Israel, realizado pela jornalista e diretora de Comunicação e Imprensa do ICArabe, Soraya Misleh, presente no seminário.