Um livro para ajudar árabes a aprender português

ter, 24/07/2007 - 11:50
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Editora Almádena, fundada em janeiro, inicia seus trabalhos com o lançamento de “Português para Falantes do Árabe”, livro que traz esclarecimentos para as principais dúvidas que os falantes do árabe tem ao aprender português. Uma delas é o uso do verbo no presente do indicativo como verbo de ligação, não usado em árabe.João Baptista Vargens, doutor em Lingüística Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e editor, teve entre 1992 e 1994, quando lecionava português em Tetuão, Marrocos, a idéia de dar forma a um livro que pudesse ajudar os falantes do árabe a aprender português. Enquanto percebia as maiores dificuldades que tinham seus alunos para captar as características de nossa língua, nascia o projeto que ganha forma final agora em 2007. No início de agosto, a editora Almádena, fundada em janeiro deste ano, lança em São Paulo o livro “Português para Falantes do Árabe”. Além de João Baptista, os professores Geni Harb, Suely Ferreira Lima, Bianca Graziela da Silva e Heloisa Ellery, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também participaram da produção da obra. As 248 páginas que chegam ao público terão como alvo os imigrantes árabes que já têm algum contato com o português, mas sofrem para entender por completo as regras do idioma que falado no Brasil. São diplomatas, estudantes, colônias recentes de árabes que precisam da língua portuguesa para exercer atividades profissionais e inserir-se socialmente. As diferenças gramaticais entre o árabe e o português geram dúvidas, as quais o livro tenta esclarecer. Vargens exemplifica: “No presente do indicativo, não se usa verbo de ligação. Basta dizer 'Soraya jamila' (que equivale a 'Soraya bonita'), para que possamos entender que 'Soraya é bonita'. Já no português, precisamos usar o verbo 'ser' para dar sentido pleno à oração. Outro exemplo refere-se ao sistema verbal de flexão do gênero existente no árabe. No português, a definição se dá pelo gênero do artigo, do substantivo ou do adjetivo". Depois que os autores haviam dado forma ao livro, seu conteúdo ainda passou pelo que pode ser considerado uma outra etapa de revisão. No Programa de Pós-graduação ministrado pela Faculdade de Letras da UFRJ, ao longo de dois anos, cada capítulo do livro passou por um processo de aprimoramento. O livro é estruturado de forma cronológica, e leva em conta o calendário nacional, com suas festas e datas comemorativas. Isso supre uma outra preocupação que os autores – todos professores do Setor de Estudos Árabes da UFRJ - tiveram, que foi o de colocar o aluno que se utiliza do livro em contato com a cultura e os costumes do país. Editora Almádena João Baptista sempre teve o interesse de entender e revelar a confluência que tiveram e têm as culturas árabe e brasileira. Isso o levou a fundar a Almádena. No site da editora, seu objetivo é descrito da seguinte forma: “Trata-se da única editora do mercado nacional que incorpora às suas atividades a missão de estimular a publicação de obras que promovam o acesso ao amplo universo do conhecimento, da cultura árabe e brasileira”. A Almádena chega ao mercado editorial brasileiro como a síntese da trajetória de seu próprio idealizador. Desde 1974, quando se bacharelou e se licenciou pelo Setor de Estudos Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o lingüista tem-se dedicado não só ao idioma, mas também à análise dos desdobramentos sociais, culturais, políticos e religiosos, resultantes do contato entre os dois povos. "Nós buscamos abrir um caminho para publicações de estudos focados em temas resultantes da interação entre as culturas árabe e brasileira, porque até então não havia uma editora com este foco". Os Falantes de Árabe - Hoje, da África ao Oriente Médio, estima-se que nos 22 países – onde o árabe é o idioma oficial – vivam cerca de 350 milhões de habitantes. Além disso, há um número expressivo de árabes que – por razões diversas – emigram para diferentes partes do globo. Existe uma estimativa de que existam por volta de 10 milhões de árabes, entre imigrantes e descendentes, que vivam no Brasil.