Idioma é maior barreira para refugiados, diz estudo

qui, 02/07/2020 - 19:56
Publicado em:

Pesquisa da ONG Estou Refugiado apontou o idioma como maior dificuldade para refugiados no Brasil. Segundo Acnur, 1% da humanidade sofre com o deslocamento forçado.

Pessoas em situação de refúgio que encontraram no Brasil um país para recomeçar  suas vidas apontaram o idioma como principal barreira para se restabelecer. O dado foi divulgado pela pesquisa qualitativa ‘Jornada pelo refúgio no Brasil’ organizada pela ONG Estou Refugiado para marcar o Dia Mundial do Refugiado, que é 20 de junho.

A ONG realizou entrevistas em profundidade com 30 refugiados no Brasil. O objetivo da pesquisa brasileira foi identificar a trajetória do migrante depois de desembarcar no Brasil, assim como suas percepções a respeito do novo país e de seu povo.

Vindas da Síria, República Democrática do Congo (RDC) e Venezuela, 18 dos migrantes estavam empregados à época do questionário. Entretanto, a maioria deles não conseguiu trabalhar na mesma área de sua formação ou de atuação na nação de origem.

Ao chegar ao Brasil, além do idioma, os refugiados também citaram dificuldades para encontrar trabalho, moradia e conseguir organizar suas documentações. Segundo a ONG, uma nova pesquisa – desta vez com foco na quantidade de entrevistados – está prevista para ser feita no segundo semestre deste ano.

Outro estudo divulgado como parte dos esforços para marcar o Dia Mundial do Refugiado é o relatório anual do Agência da ONU para Refugiados (Acnur) “Tendências Globais”. O documento estima que uma em cada 97 pessoas é afetada pelo deslocamento forçado no mundo. O problema atinge, portanto, 1% da humanidade.

O relatório revela que 79,5 milhões de pessoas estavam deslocadas até o final de 2019 por guerras, conflitos e perseguições. A Acnur destaca que há um número cada vez menor de pessoas que consegue voltar para suas casas. Nos anos 1990, em média 1,5 milhão de refugiados conseguiam voltar para casa anualmente. Na última década, essa média caiu para cerca de 390 mil pessoas, demonstrando que o crescimento no deslocamento forçado supera as capacidades de solução do problema.

O número de deslocados cresceu em relação a 2018, quando eram 70,8 milhões de pessoas nesta situação, e é resultado de dois principais fatores. Segundo a Acnur, o principal deles são os novos deslocamentos que ocorreram em 2019, principalmente na República Democrática do Congo, na região do Sahel, no Iêmen e na Síria. A Síria entrou em seu décimo ano de conflito e contabiliza, sozinha, 13,2 milhões de pessoas refugiadas, solicitantes da condição de refugiado e pessoas deslocadas internamente, totalizando um sexto dos deslocados no mundo. O segundo ponto de atenção é a situação dos venezuelanos fora do país.

 

Crédito da foto: Rovena Rosa/Agência Brasil